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Quem está acostumado a associar a cantora Wanderléa às músicas ligeiras, herança da Jovem Guarda, movimento que surgiu na segunda metade dos anos 60, num misto de atitude, música e moda, da qual ela foi uma das principais estrelas, estranha um pouco a performance da artista no DVD Nova Estação Ao Vivo, gravado no ano passado, no teatro Fecap, em São Paulo, e que acaba de chegar às lojas de todo país numa parceria entre a gravadora Lua Music e o Canal Brasil.

O repertório do DVD é baseado no disco Nova Estação, de 2008, que ganhou o prêmio de melhor CD de música popular brasileira da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), e traz as participações especiais de Arnaldo Antunes e Ubaldo Bersolado e do grupo Ó do Borogodó. No DVD, Wanderléa mostra que ainda é senhora do palco e não perdeu a afinação, cantando com voz suave gêneros que passeiam entre a canção e o samba, às vezes com uma exagerada carga de intimismo que deve incomodar seus fãs.

Wanderléa selecionou um cardápio musical variado para oferecer ao público, começando com ‘Nova Estação’ (Luiz Guedes e Thomas Roth), passando por ‘Dia Branco’ (Geraldo Azevedo e Renato Rocha), ‘Samba da Preguiça’ (Roberto Carlos e Erasmo Carlos), ‘Chiclete com Banana’ (Jackson do Pandeiro e Almira), ‘Eu e a Brisa/O Que É Amar’ (Johnny Alf), ‘Mil Perdões’ (Chico Buarque) e Brasileirinho (Waldir Azevedo), até fechar com a emblemática ‘Todos Estão Surdos’ (Roberto Carlos e Erasmos Carlos).

Mineira de Governador Valadares, onde nasceu em 5 de junho de 1946, Wanderleá foi morar no Rio de Janeiro aos 9 anos de idade, e aos 10 já vencia concursos em emissoras de rádio cariocas. Projetou-se nacionalmente durante a Jovem Guarda, movimento capitaneado pela dupla Roberto Carlos e Erasmo Carlos, e, entre outros filmes, atuou como atriz em Juventude e Ternura (1968), dirigido por Aurélio Teixeira, e contracenou com o ‘Rei’ e ‘O Tremendão’ em Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa (1968), de Roberto Farias.

A artista gravou o seu primeiro compacto em 1962, e, no ano seguinte, estreou em LP com Wanderléa, com selo da CBS. Foi nesta gravadora que conheceu e namorou Roberto Carlos e também tornou-se amiga de Erasmo Carlos. Dois anos depois, passou a apresentar o célebre programa dominical Jovem Guarda pela TV Record de São Paulo, uma das maiores audiências da época e responsável pelo lançamento de vários ícones do movimento.

A crítica considera Wanderléa e Celly Campelo as duas primeiras estrelas do rock brasileiro. Com o fim da Jovem Guarda, a artista prosseguiu a carreira, nos anos 70, como cantora pop, mais seus grandes sucessos continuam sendo ‘Pare o Casamento’ (versão de Luís Keller), ‘Ternura’ (Rossini Pinto) e ‘Prova de Fogo’ (Erasmo Carlos), à exceção de ‘Te Amo’, que emplacou na trilha sonora nacional da novela Caras & Bocas, da Rede Globo (a mesma canção já fizera sucesso nos anos 90, compondo a trilha da novela Pedra Sobre Pedra, que voltou a reacender os holofotes sobre ela).

Foto da capa: queroir.com


Pianista, professor, compositor e regente, José Alberto Kaplan, completaria 74 anos no dia 16 de julho. Nascido em Rosário, na Argentina, Kaplan deu suporte a maioria dos movimentos musicais na Paraíba. Foi uma das pessoas mais influentes da história recente da música contemporânea. Uma pessoa que sempre acreditou que o trabalho e o estudo conduzia o músico para o melhor lugar. “Mais importante que a inspiração é a transpiração” era a orientação repassado aos alunos.

Músicos de todo o Brasil e do mundo estão de luto pela morte do grande mestre. “Era um pai pra mim, sua esposa Márcia Kaplan uma mãe”, confessou Eli-Eri Moura, aluno do músico e hoje, professor do departamento de música da Universidade Federal da Paraíba, o qual Kaplan ajudou a fundar. “Ele é referência não apenas pela obra deixada, acima de tudo era um grande educador, um compositor de renome nacional na música contemporânea. Muitos grandes músicos e pianistas devem a sua formação a Kaplan”, acrescentou Eli.

“Participei de muitos trabalhos dele, como a Cantata pra alagamar, da qual fiz participação na primeira gravação e na versão nova que está para ser lançada nesses dias”, lamentou o regente Carlos Anísio. Muito embora estivesse doente a alguns anos, Kaplan nunca deixou de trabalhar, continuava empreendendo. “Recentemente ele me chamou para me dar um parte de seus livros de memória, ganhei também um livreto de uma ópera que ele queria orquestrar. Isso demonstrou o quanto ele lutava contra a doença, ele não se entregava as coisas ruins que a vida lhe trouxe”, relatou Anísio.

A época de maior emoção para o regente, foi durante sua participação na Cantata pra alagamar. “Foi um momento muito importante, em plena ditadura, defendia os trabalhadores do campo, que teve naquela época uma grande repercussão. As pessoas da igreja e da política se voltaram para ele, porque a composição tinha um cunho político muito forte. Era uma denúncia que Kaplan tinha a favor dos camponeses na Paraíba. Para mim foi muito importante ter participado disso. Mostrou da parte dele muita coragem, mesmo estrangeiro teve a ousadia de se juntar com diversos visionários para transformar algumas culturas”, relembrou.

Kaplan sofria há 11 nos de seringomielia – uma doença degenerativa que atacava a medula óssea. Faleceu no final da tarde de ontem, às 17h15, no Hospital Samaritano. Durante o final de semana sofreu duas paradas cardíacas. Seu corpo será cremado às 10h na central de velórios Caminho da Paz, na estrada de Cabedelo.

José Alberto Kaplan foi regente Titular da Orquestra de Câmara do Estado da Paraíba. Como professor de Piano e Harmonia, foi convidado a participar dos mais importantes Festivais realizados no País. O Conselho Estadual de Cultura concedeu-lhe, em 1998, o “Diploma de Honra ao Mérito” pelos relevantes serviços prestados à cultura paraibana. Reside no Brasil desde 1961, tendo adotado a cidadania brasileira em 1969. A UFPB, por ocasião das solenidades de comemoração do seu cinquentenário, concedeu a José Alberto Kaplan o título de Professor Emérito e a Comenda Sapientia Aedificat, em 2 de dezembro de 2005 – a mais alta honraria da instituição.