Policiais trabalham com armas próprias 0 93

policial trabalha arma propria

A retomada do debate sobre o desarmamento levou a sociedade a questionar mais uma vez a facilidade com que bandidos têm acesso a armas para realização de crimes. Somente nos 20 primeiros dias do ano, as polícias Civil e Militar apreenderam 121 armas de fogo no estado da Paraíba. Mas, na discussão sobre o tema, uma realidade surge e preocupa: policiais civis e militares paraibanos estão tendo de comprar armamento, algumas vezes de forma ilegal, para compensar a falta de armas do estado ou o sucateamento delas. A informação é confirmada pelos próprios policiais e ratificada pelos sindicatos da categoria. No acesso ao mercado negro das armas, a corrupção aparece e envolve agentes do estado no abastecimento do crime organizado.

Na Polícia Militar a situação chega a ser mais preocupante. Os revólveres que são entregues aos policiais não sem comparam, nem de longe, ao armamento encontrado com bandidos durante operações. No interior então, onde quadrilhas especializadas em assaltos a bancos têm agido com uso de pistola, fuzis e até metralhadoras, os revólveres dos soldados são obrigados a se esconder para preservar a própria vida. Na Polícia Civil, a qualidade das armas entregues – geralmente pistolas – tem melhorado, mas a categoria se depara com outro problema. “Geralmente as pistolas entregues não são tão boas, e a gente tem de ter um backup (uma arma reserva) para em caso da primeira falhar o policial não ficar refém. Mas a secretaria não tem ajudado nisso. Aí o policial se vê obrigado a comprar outra arma melhor, por questão de segurança mesmo”, conta um agente de investigação.

Nas delegacias da capital o uso de armas pessoais no trabalho não é mais novidade. Virou coisa comum. “Todo mundo conhece essa situação. Faltam armas melhores e em alguns casos até munição. Para garantir sua segurança o policial tem de se virar e tirar (dinheiro) do próprio bolso para ter uma arma melhor para trabalhar. Afinal estamos em risco todo dia no combate à criminalidade”, ressalta o presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado da Paraíba (SSPC/PB), Antônio Erivaldo Henrique de Souza. O Coronel Francisco de Assis, presidente do Clube dos Oficiais da Polícia Militar, destaca que na corporação o uso de armas pessoais acontece porque muitos dos revólveres disponibilizados pela secretaria são antigos e não possuem uma maior precisão, deixando as equipes em desvantagem numa situação de confronto. “Primeiro que a quantidade (de armas) não supre a necessidade e depois porque há muitos revólveres antigos, enquanto os bandidos agem com armamento mais pesado”, comentou.


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Jornalista pós-graduado em mídia e redes sociais e jornalismo com passagens pelo Portal R7, Jornal do Trem, Impacto Comunicação.

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Motorista suspeito de abuso 0 31

motorista acusado de abuso

Um motorista de 66 anos foi preso na manhã de ontem acusado de abusar sexualmente de uma menina de apenas 10 anos de idade. O crime aconteceu na manhã da última quarta-feira, mas a garota foi rápida e, assim que encontrou a mãe, relatou o que tinha acontecido na casa de sua bisavó, onde o acusado tinha lhe levado para passar a tarde. Ele trabalhava como motorista para a família da vítima há pouco mais de um ano, mas só agora teria demonstrado um comportamento libidinoso, beijando o rosto e acariciando as partes íntimas da garota.

De acordo com o depoimento prestado pela criança na Delegacia de Crimes Contra a Infância e Juventude, o suspeito estava levando-a para a casa de sua bisavó, mas parou o veículo num posto de gasolina e comprou guloseimas e um jogo para ela. Além dos agrados, o motorista deu o troco da compra para a menina. “Na casa da minha bisavó, ele me chamou para brincar com o jogo, deu um beijo na minha testa e olhou para cima, para ver se havia alguém olhando. Eu perguntei porquê ele estava olhando para o alto e ele disse que era porque ali tinha muita gente curiosa”, contou a vítima, em depoimento.

Após o beijo na testa, o motorista chamou a criança para outro terraço, que serve como garagem da casa, e passou a beijar todo o rosto e acariciar as partes íntimas da menina, que logo arranjou um argumento e saiu correndo do local. “A criança disse que sua mãe estava telefonando e saiu imediatamente da garagem. Quando foi sair com a bisavó para ir ao médico, a menina chamou a empregada da casa para ir junto, com medo que o motorista tentasse abusá-la novamente. Apesar de ter apenas 10 anos, ela é uma garota bem instruída, que assim que encontrou a mãe, denunciou a atitude do empregado da família”, contou a delegada Joana D’arc Sampaio Nunes, que assumiu o caso.

Os pais da garota ficaram chocados com o que aconteceu e, assim que a menina relatou o fato, procuraram a Delegacia de Crimes Contra a Infância e a Juventude. “Quando me encontrou à noite, minha filha disse que tinha um assunto sério para conversar comigo. Mal esperou chegar em casa e disse o que o motorista tinha feito. Estamos chocados porque a gente cuida de uma filha com todo carinho e um monstro desse vem fazer mal à ela, mas estamos orgulhosos porque ela soube agir da melhor maneira”, relatou a mãe da criança.

Na delegacia, o suspeito negou todas as acusações. “Eu não fiz nada disso. Só comprei doce para ela. Não sei porque ela tá fazendo isso”, alegou. O motorista, que é casado e pai de oito filhos, responderá pelo crime de abuso sexual contra vulnerável e pode ficar detido por um período de 8 a 15 anos de reclusão se for condenado pela justiça.


Seca e chuva na Paraíba 0 77

seca e chuva paraiba

As chuvas registradas nos últimos dias no estado surpreendeu os moradores da maioria das cidades paraibanas. Mas, se por um lado a chuva vem mudando o cenário de verão em algumas cidades litorâneas e mesmo do semi-árido paraibano, por outro, a estiagem ainda está acometendo 142 cidades, em virtude da ausência de chuvas. A Defesa Civil da Paraíba informou que ainda existem 142 cidades em que o problema da seca prevalece, fazendo com que as áreas rurais das cidades tenham o auxílio do serviço dos caminhões-pipa: “Ainda existem os municípios com o problema da estiagem, mas as chuvas registradas já fizeram com que 32 cidades suspendessem o serviço”, disse o coordenador estadual, Walber Rufino.

Na próxima semana, a Defesa Civil da Paraíba estará no sertão paraibano, a fim de contatar os organismos municipais de Patos, Sousa e Cajazeiras, para saber se os locais estão passando por dificuldades. A avaliação de Walber Rufino, é de que a previsão feita pela Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa-PB) de incidência de chuvas acima da média tem se confirmado, mas que as maiores dificuldades estão situadas justamente nas cidades mais urbanizadas. “As cidades mais urbanizadas estão sofrendo mais porque as chuvas estão ocorrendo num volume concentrado e num curto período de tempo”, explicou o coordenador.

Para João Pessoa, a Aesa-PB informou, através do serviço de meteorologia, que, em janeiro, a média histórica da cidade é de 79.5mm, mas as chuvas na capital chegaram a 155.8mm até o dia 27 de janeiro, o que representa o dobro do índice. O meteorologista Alexandre Magno apontou a cidade de Mataraca como a região do litoral em que mais choveu, com 250.7mm de precipitações, quando a média histórica para o município é de 103.9mm.

A moradora da comunidade do Riachinho, Marilene de Santana, 49, lida todos os anos com o problema das chuvas, mas dessa vez o drama veio mais cedo. A casa de tijolo com um vão que serve de quarto e sala, tendo uma divisória em que ficam dispostos um banheiro e a cozinha, serve para abrigar cinco pessoas, entre as quais os dois netos. A casa não tem janelas e toda vez que há excesso de chuvas, as tubulações de esgoto ficam obstruídas e retornam para dentro de casa: “Todo ano é a mesma coisa. A chuva alaga tudo, entope os canos e a fossa sobe para dentro de casa”, diz a moradora, que está cadastrada no plano de habitações da prefeitura.

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