Deus garoto propaganda 0 138

deus garoto propaganda

Além de divulgar mensagens cristãs via Internet, algumas igrejas neopentecostais usam seus sites para vender desde piercings de diamante até pacotes de viagem

Paloma Oliveto
Da Meridional

Conta o Evangelho de São João que certa vez, chegando à entrada do templo, Jesus pegou um chicote e começou a ”exemplar” ambulantes que aproveitavam a presença dos fiéis para fazer seu pé de meia. Se voltasse à Terra, Ele teria que arrumar um arsenal de chicotes. Porque o nome de Deus tem sido usado como nunca para vender, e não estamos falando de livros e CDs religiosos. Algumas neopentecostais, apelidadas de ”igrejas eletrônicas”, aproveitam seus sites para anunciar produtos os mais diversos possíveis: cestas de café da manhã, seguros de automóvel, piercings de diamante e até artigos ligados à religião.

A campeã de vendas é a Universal do Reino de Deus (www.igrejauniversal.org.br). A igreja do bispo Edir Macedo, que começou apostando nas classes C e D, agora investe num público que pode pagar R$ 1.729 por um carrinho Audi para crianças. Ou R$ 200,75 por um piercing de umbigo. Tudo, claro, de forma sutil. Na entrada do site, o símbolo da igreja – um Espírito Santo – e os links para a história e a missão da Universal, os trabalhos sociais e para a Arca Universal. É nesse endereço que o fiel – ou qualquer outro internauta – terá acesso aos produtos de 13 lojas. Apenas uma delas vende artigos religiosos; todas as outras são de mercadorias tão pagãs quanto sapatos de couro, pingentes de ouro 18K e CDs de rock’n’roll profano.

Os pastores e bispos da igreja não comentam o assunto. E ficam sem explicar qual a receita do portal, para onde vai o dinheiro investido em publicidade e por que um site religioso estimula o consumo a ponto de desenvolver um canal só de compras.

Cotação do dólar

Embora não chegue ao ponto de hospedar um shopping virtual, a Renascer em Cristo (www.renascertag.cjb.net), comandada pelo casal de bispos Estevam e Sonia Hernandes, também parece investir mais em publicidade que no conteúdo religioso. Logo na entrada do site, a cotação do dólar e os índices da Bovespa. Na homepage, pipocam banners e mensagens: ”Anuncie no Portal Renascer”. Para fazer as comprinhas nas lojas dos anunciantes, que tal um cartão de crédito Gospel Bradesco Visa? Até isso tem. ”Não visamos lucro. Tudo que ganhamos com o cartão é investido nas obras sociais, como a casa de dependentes químicos de São Paulo”, explica o pastor Artur Rogério, da Renascer em Cristo de Brasília. O dinheiro dos banners – o anúncio varia de R$ 10 a R$ 100 -, segundo o pastor, também não vai para a igreja. ”É tudo para a manutenção do site. E é pouco. Na verdade, os banners são mesmo para ajudar a divulgar as empresas de pessoas que freqüentam a igreja, pois os custos são baixos”, garante o pastor.

Mas essa filantropia toda não aparece no portal. Pelo contrário, os Hernani são muito claros no link ”Como Anunciar”: ”O não pagamento na data do vencimento implicará cancelamento dos benefícios concedidos, suspensão de crédito e protestos após quatro dias corridos da data de vencimento da fatura de Prestação de Serviços”. E mais: ”O anunciante e o vendedor responsabilizam-se pelos dados dos banners e textos dos anúncios, fornecidos pelo anunciante, e pelos prejuízos decorrentes de sua divulgação, inclusive em relação a terceiros, não cabendo a responsabilidade solidária dos veículos de comunicação do Portal Renascer”.

Livro erótico

Para um site religioso, o Renascer é bastante democrático na escolha do tipo de anúncio que pode ser divulgado. Vale tudo, desde que atenda às recomendações do Conar. ”Só podem anunciar pessoas que freqüentem a igreja”, garante o pastor Artur Rogério, que depois se corrige: ”Ou então que sejam indicadas. Mas 99% dos anunciantes são nossos fiéis”. Outra coisa que não fica clara no portal, que, inclusive, tem um texto bastante convincente para atrair propaganda: ”Hoje a comunidade evangélica é mais de 50 milhões. Anunciando no Portal Renascer você está colocando sua empresa e seus produtos em contato com um público segmentado, formador de opinião, com bom poder aquisitivo e com alta aceitação da modernização”.
E a igreja vai mais além. Dá dicas de publicidade. ”Use a palavra GRÁTIS – são as seis letras mais poderosas do marketing direto. Qualquer promoção ou incentivo à compra que use palavras como ‘grátis’, ‘gratuito’ induz os usuários a clicarem no banner.”

A cena é impagável. Você entra no site da Igreja Quadrangular (www.quadrangular.com.br), freqüentada pelo presidenciável Anthony Garotinho, e dá de cara com a propaganda do livro erótico O Prazer sem Limites. Ricamente ilustrado com fotografias quentíssimas. Ao lado do banner, mensagens evangélicas. ”Nossa, eu não sabia disso! Temos que tomar providências”, surpreende-se o pastor Waldir Fascioni, presidente estadual da Igreja em Pernambuco. Segundo o pastor, o dinheiro arrecadado com publicidade é usado para pagar o webdesigner. ”Ele é responsável pelos anúncios, mas estava avisado que pornografia, bebida alcoólica e cigarro não podem entrar no site”, diz.

Nas outras igrejas

A presença de publicidade em sites oficiais de instituições religiosas não é comum. Confira o conteúdo de outros portais, em que anúncios não entram:

Assembléia de Deus (www.ad.org.br) O site traz a doutrina da igreja, mensagens de fé e um link sobre o coral da Assembléia.

Igreja Presbiteriana (www.ipb.org.br) Agenda de atividades da igreja, notícias, missões dos fiéis.

Comunhão Espírita (www.comunhaoespirita.org.br) Atividades da Comunhão Espírita, notícias, estudos da doutrina.

CatólicoNet
(www.catolico.org.br) Notícias do Vaticano, mensagens de fé, links para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e os meios de comunicação católicos.

E MAIS

Sob suspeita

Em maio passado, a revista Época publicou uma reportagem denunciando o ”lado obscuro” da Igreja Renascer em Cristo, do casal de bispos Estevam e Sonia Hernandes. Vários fiéis foram coagidos a serem fiadores dos caríssimos imóveis alugados como templos e depois tiveram que arcar com o calote dos bispos. No total, 21 pessoas foram vítimas – no Distrito Federal, há quatro processos contra a Renascer. Segundo a reportagem, em três anos a igreja cresceu 100% e hoje o império conta com 12 empresas, incluindo um resort em Las Palmas, na Flórida.

Previous ArticleNext Article
Jornalista pós-graduado em mídia e redes sociais e jornalismo com passagens pelo Portal R7, Jornal do Trem, Impacto Comunicação.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fim dos estacionamentos privativos 0 203

estacionamento brasil

Procurar um lugar para estacionar na capital está cada vez mais difícil. Quando não é a limitação da Zona Azul, são os estacionamentos ditos exclusivos espalhados pelas calçadas de farmácias, supermercados, clínicas e até bancos. O que muita gente não sabe é que essa prática não é permitida por lei. O Código de Trânsito Brasileiro estabelece que no momento em que a calçada é rebaixada, o espaço para o estacionamento passa a ser de uso público. Para alertar os estabelecimentos sobre o uso inapropriado de correntinhas e placas que restringem o uso das calçadas aos clientes em atendimento, a STTrans vai iniciar nos próximos dias notificações aos estabelecimentos que fazem uso dessa prática.

Empreendimentos têm colocado avisos com ameaça de reboque de carros argumentando que espaços são destinados, especificamente, a clientes em atendimento Foto: Fotos: Rafaela Tabosa/ON/D.A. Press “Algumas pessoas já estão se enquadrando, outras não. Por isso faremos notificações caso a caso. Se não houver adequação por parte dos estabelecimentos, vamos multar”, disse o diretor da Divisão de Estacionamento e Registro da Sttrans, Cristiano Nóbrega. O valor da multa ainda será estabelecido através de Portaria.

O Artigo 93 do Código de Trânsito exige que todo empreendimento com pólo gerador de tráfego é obrigado a ter um estacionamento. Baseado nisto, os responsáveis pelos empreendimentos fazem o recuo do imóvel e rebaixam as calçadas, impedindo que outros motoristas usem a rua para estacionar. “Vamos pensar na seguinte premissa: se todo mundo rebaixar a calçada, o espaço público da cidade vai acabar. Por isso é proibido restringir a calçada para o uso exclusivo de clientes. É como privatizar uma área pública”, explicou Nóbrega.

O professor Cláudio Roberto nunca estacionava em locais com placas que pudessem gerar algum constrangimento e desconhecia o direito de fazer uso da vaga independente de usufruir do estabelecimento em questão. “Gostei muito de saber disso. Espero que os órgãos responsáveis sejam rigorosos na fiscalização. Quando a gente para pra pensar, percebe que não faz sentido ocupar as calçadas, impedindo que as pessoas estacionem nas ruas que é um espaço público”, disse o motorista.

Cerca de 180 mil veículos circulam nas ruas da Capital. A previsão da STTrans é que haja um crescimento na frota de 10% ao ano. Se os estacionamentos das calçadas fossem realmente proibidos, muitos motoristas teriam que deixar seus veículos em casa, porque não conseguiriam um local para estacionar. No Centro da cidade, 1.250 vagas são restritas à Zona Azul. Para estacionar, o motorista é obrigado a pagar uma taxa de R$ 1,30 por duas horas. Se não retirar o veículo dentro do prazo, o motorista está passível a receber multa no valor R$ 53,21, além de perder três pontos na carteira.

Fascínio pelo mundo da lua 0 172

observacao lua

Quem nunca ouviu a expressão “viver no mundo da lua” que atire a primeira pedra. O ditado popular ainda está longe de se tornar realidade, mas uma espiadinha no terreno é possível e faz parte da programação de cerca de 200 pessoas que visitaram, ontem, a Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes. O projeto ‘Venha ver a lua’ é realizado uma vez por mês, geralmente no domingo que antecede a lua cheia, numa parceria entre o espaço e a Associação Paraibana de Astronomia (APA).

A programação começou na sala de convenção, às 16h30, com a exibição de vídeos sobre o universo astronômico. Em seguida, membros da APA e astrônomos convidados participaram de um debate com os visitantes. As pessoas tiram dúvidas e descobrem curiosidades sobre os planetas, astros, cometas, asteroides, entre outros elementos da astronomia.

Ao anoitecer, os participantes se deslocaram para o terraço panorâmico da Torre Mirante. A intenção era contemplar o espaço celeste por meio de telescópios instalados e disponíveis para quem quiser ver de perto planetas e crateras da Lua. A prioridade é para os domingos que antecedem a lua cheia, mas nunca no dia da lua cheia. O presidente da APA, Ivan Costa, explicou que os telescópios captam muita luz, portanto, em dia de lua cheia a luminosidade ofusca os detalhes da superfície.

A atividade faz parte das comemorações alusivas a um ano da Estação Cabo Branco e do Ano Internacional da Astronomia. “Este ano é comemorado os 400 anos em que Galileu apontou o telescópio para ver o sol. Portanto, essa é uma forma de a associação divulgar a astronomia aqui na Paraíba – um comprometimento de todas as associações do país”, afirmou o presidente da APA.

O diretor da Estação Cabo Branco, Fernando Abath, ressaltou que o projeto Venha ver a Lua é uma oportunidade para a comunidade científica e leiga intercambiar sobre astronomia, uma ciência pouco divulgada inclusive nas instituições de ensino. “A Estação Cabo Branco é sem dúvidas um espaço de fomento científico e de pesquisa, ideal para realização desse tipo de experiência e que com certeza nesta casa de divulgação e popularização da ciência serão sempre promovidos eventos dessa natureza”, enfatizou.

A participação é gratuita e as pessoas podem contemplar a lua, através dos telescópios disponibilizados no terraço panorâmico da Estação, que fica aberta, excepcionalmente nos dias do projeto, até às 20h. Mais informações: 3214-8303

Most Popular Topics

Editor Picks